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Sentei com uma amiga para conversar e ela me contou sobre o seu falido relacionamento. Contou de como com o tempo as coisas perdem a graça, só aparecem os defeitos e os amantes já nem se beijam mais. 

Ela me disse, também, que o que acaba com uma mulher é o homem. Ele desgasta por nunca compreender o que falamos. Irrita por nunca conseguir ver o que está na cara, incomoda de tanta indiferença; e ainda me disse que poderia passar a vida toda falando sobre como é insuportável a vida ao lado de um homem. 

Tive que escutar que os homens não prestam, que não adianta tentar mudar, eles sempre vão escapar dos relacionamentos, sempre irão nos fazer sofrer, sempre terão uma segunda, terceira, quarta,..., vigésima sétima opção. Que nós somos suas reféns e que eles são seres livres. Que depois de um certo tempo a mulher é obrigada a perder a vontade própria. 

Quando sai de lá fiquei atordoada. Não sabia se te ligava e termina tudo. Se fazia uma planilha para aferir os seus prós e contras. Se analisava a curva que nosso relacionamento se encontra, e quanto de prazer ainda nos resta. Se pegava minhas coisas e tentava uma vida junto aos pingüins da Patagônia, ou sei lá o que. 

Mas ai eu reparei que: mesmo depois de tanto tempo eu continuo perdida nas curvas da sua boca e acho que não vou me encontrar tão cedo. Então, talvez, o problema não seja tanto dos homens, mas de quem não sabe amar.

Preciso confessar que sou piegas, bem piegas até, em relação ao amor. Leio, quase que diariamente esses sites e blogs de contos e crônicas. Tenho livros de poesia na minha penteadeira e uma de minhas obras preferidas é Para se Viver um Grande Amor, de Vinícius de Moraes. Escuto músicas de amor, dou risadinha só, sonho, planejo, escrevo coisas em um caderninho e quando não cabe mais em mim externalizo em pouco mais de mil toques. 

Há um tempo venho escutando que uma hora a paixão acaba, que vira amor, que você deixa de sonhar para viver. Mas não, não é assim. Não é assim que aprendi, não é assim que vejo as pessoas vivendo. A paixão não acaba, não para quem realmente ama quem está ao seu lado.

Não acaba porque mesmo com os vinte e tanto anos, ou mais, de casados, ele sempre vai olhar para ela sem encontrar as palavras certas para dizer o quanto é linda. E ela sempre vai sorrir e mudar de assunto quando perceber aquele olhar.

Não acaba porque, mesmo que mais raros e curtos, os beijos sempre carregarão uma boa dose de energia, quase um choque, que vai transcender a vontade de que aquele momento não acabe nunca, e ambos terão certeza de que escolheram a pessoa certa. 

Não acaba porque sempre haverá planos e sonhos para os dois, seja da próxima viagem, do próximo filho ou da reforma da cozinha.

Não acaba porque é a paixão que difere o amor que sentimos por aquela pessoa do que o que temos por qualquer outro de nossos amigos.

A paixão não acaba, e nem deve acabar. Deve haver mais desejo quando se conhece cada milímetro do corpo do parceiro. Deve haver descoberta, mesmo quando já se sabe exatamente o que o outro pensa em cada situação. Deve haver ansiedade mesmo quando já se escolhe o que irá ganhar nas datas comemorativas. E deve haver comemorações, mesmo que aquela data já tenha se repito por tantos seguidos anos.